Palmeiras desponta como favorito ao título do Brasileiro

MATEUS PEDROSA

            Antes de tudo, esclareço que penso dessa forma desde muito antes. Não cheguei a essa conclusão na cômoda circunstância de apontar o Alviverde paulista, agora na liderança, como o potencial campeão do brasileirão.

            Na reta final do campeonato, a qualidade técnica e tática que os times em disputa conseguiram mostrar chegaram ao teto. Dificilmente acontece reviravoltas quanto aos aspectos apontados quando há saturação física, elenco desfalcado, desgastes internos no clube, cobrança da torcida, entre outros. Como consequência, o fator psicológico torna-se protagonista.

            Pois bem, o São Paulo, não é de agora, vem decrescendo no campeonato, principalmente pelo elenco reduzido, o que faz aflorar o desgaste físico dos jogadores mais qualificados do time por serem tão demandados e a falta de opção para variações táticas para o técnico Aguirre. Internacional do mesmo modo, encontrando cada vez mais dificuldades, inclusive contra adversários em crise, que é o caso do Sport. Flamengo encontra-se a cada semana em picos alternativos de excelentes e péssimos resultados e conta agora com um técnico ainda em adaptação. Talvez, o time o mais consistente era o Grêmio que, alternando a formação titular e a alternativa conseguia obter bons resultados. Mas, ultimamente vem tropeçando. Nesse cenário, o Palmeiras desabrochou. Para isso, nada de excepcionalmente diferente foi feito. Com a chegada do técnico Felipão, houve o ajuste do maior inimigo do Palmeiras: o emocional. Ajustando o psicológico dentro e fora de campo, administrando bem o vestiário, e, enfim, aliando a exacerbada qualidade técnica do ótimo elenco à disposição com um futebol pragmático, o técnico conseguiu êxitos notáveis. Mesmo o Palmeiras se dedicando mais às competições eliminatórias (Libertadores e Copa do Brasil), o time alternativo manteve o clube na disputa acirradíssima pelo título do brasileiro. Além disso, a eliminação na Copa do Brasil, de certa forma, fez bem para a disputa do título do brasileirão.

            Incluído nesse contexto, sendo um dos melhores visitantes do campeonato brasileiro, não há como não escolher o Porco como favorito ao título. E, aqui, um aspecto de decadência do futebol brasileiro, pois bastou a junção do fator psicológico com a armação nada nova de um time com uma boa qualidade técnica, que as apresentações frente aos outros times são extremamente superiores. Enquanto Felipão conseguir vencer facilmente sem precisar se debruçar com novas formas de jogar, o Palmeiras vai sobrar no Brasileirão.


Sport é cada vez mais golpeado fora de campo e permanência na série se torna pouco possível

MATEUS PEDROSA

            Quando o rubro-negro pernambucano começava a evoluir dentro das quatro linhas, apesar da melhora no futebol não ser revertida em vitória, o fio finíssimo de esperança que restava no torcedor na fé da permanência na série A ganhou muitos sintomas de rompimento. Após a derrota para o Palmeiras no domingo (23), o Sport tomou mais um gol contra: Eduardo Baptista, seu auxiliar técnico e a diretoria de futebol abandonaram o barco prestes ao afundamento.

            Num olhar imediatista, uma boa dose de culpa poderia ser imputada ao técnico, o que se revelaria de uma injustiça tremenda. Tal culpa é muito mais remota e tem raízes na péssima gestão dos dirigentes, principalmente Arnaldo Barros. Vale ressaltar que o elenco do Sport não é um dos melhores, mas também não é dos piores. A estrutura do clube é sempre admirada por técnicos e jogadores que vêm do sul. De fato, o rubro-negro é potencialmente o maior clube do Nordeste, tendo talvez o Bahia como o maior rival no âmbito regional. Mas com uma gestão em que há pendências financeiras significativas, tendo, por exemplo, 2 meses de atrasos salariais, causas trabalhistas cumuladas cada vez mais no setor jurídico do clube, má articulação dos gestores com outros setores do clube (atente-se para a "crise" protagonizada por Felipe Bastos e Michel Bastos ao fazerem declarações irônicas nas redes sociais e o pouco tato dos gestores para solucionar), a força do time não tem como sair da potencialidade, das declarações motivacionais ou das falas ilusionistas. Além disso, o presidente, nas suas declarações, é pouco conclusivo. Fala obviedades, omite-se diante de tantos erros e apresenta justificativas injustificáveis.

            Agora, para o rumo do Sport ser positivo, fica difícil acreditar que não dependa de um milagre. O time terá o quarto treinador na temporada e toda uma nova diretoria de futebol, o que escancara a receita do fracasso. Se a gestão já era ruim com uma diretoria já consolidada, não sei o que esperar dela com uma diretoria nova. Será possível admitir novas diretrizes, novas formas de trabalho, novas relações que são potencialmente geradoras de atrito em pleno fim de temporada? Ou a nova diretoria veio apenas para submeter-se incondicionalmente ao presidente? Além disso, difícil é para um elenco digerir uma nova filosofia de trabalho quando uma já estava em construção. Será, mais do que já era, árduo para o Leão enfrentar essa situação, principalmente com o escasso apoio dos torcedores.


Ainda há esperança: finalmente, o Sport apresenta uma nova postura dentro de campo

MATEUS PEDROSA

            Imagine o seguinte cenário: um túnel no qual em sua profundidade há uma lanterna que emite um pequeno feixe de luz. O Sport Clube do Recife ao se deparar com esse cenário, dias atrás, através da sua postura dentro de campo, corria muito mais em direção à lanterna do que na direção de aproveitar a claridade possível para sair daquele túnel sombrio. Mas, após o jogo deste domingo (16) contra o Corinthians, lá em Itaquera, podemos dizer que tal cenário está se desconfigurando.

            Apesar da dura derrota contra o alvinegro paulista, com um gol irregular e um gol aos 40 minutos do segundo tempo, o comportamento tático do rubro-negro pernambucano já apresenta melhoras significativas. Enfim, depois de 7 jogos no comando do clube, Eduardo Baptista consegue dar um novo sentido a um time que, até então, andava perdido e sem perspectivas de um rumo melhor. Para um melhor desempenho, o Sport partiu de uma premissa básica: humildade. Isso porque soube reconhecer as deficiências físicas e principalmente técnicas do time, fazendo com que não haja loucura no sentido de jogar o time desesperadamente para o ataque de forma desorganizada. Muito pelo contrário. Os jogadores estão amadurecendo em relação à ideia de jogar fechado e explorar as fragilidades defensivas do adversário no contra-ataque. Além disso, a equipe apresentou uma bela postura tática, com consistência defensiva, coesão entre os setores do time para aumentar a eficiência na marcação e aprimorar a troca de passes, e um poder reativo ameaçador, sempre oferecendo perigo nos contra-golpes. Destacou-se, também, a alteração do técnico ao colocar Neto Moura como meia armador, que fez uma bela partida juntamente com Jair no comando do meio rubro-negro. E olhe que Gabriel está ausente. Com a volta dele, a esperança de melhora aumenta ainda mais. Isso faz com que o time caminhe para o progresso, mas para chegar lá, ainda é necessário controlar a parte emocional, que foi um dos pilares da derrota contra o Corinthians, principalmente nas oscilações de concentração durante o segundo tempo.

            Então, embora seja extremamente difícil, e necessário manter a calma para o aprimoramento mental e físico do time. Repito, o Sport fez uma bela partida, arrisco dizer, inclusive, que merecia a vitória. Mas futebol tem dessas coisas, um pequeno detalhe, um erro na marcação, falta de concentração, faz com que o resultado positivo escape. Esperemos para ver se o Leão continuará, a partir de hoje, fugindo ou indo de encontro à lanterna.


É necessário abrir o horizonte para outros esportes: dar chance ao Tênis é um bom caminho

MATEUS PEDROSA

É inegável que a cultura brasileira tem raízes profundas que fazem do futebol o esporte mais querido por nós. E essas raízes nos prendem de uma forma que, muitas vezes, o gosto pelo futebol se transforma em bitola, prejudicando nossa visão periférica para apreciar outros esportes. Apesar dessa hegemonia futebolística, nos últimos anos, mais pelos resultados conquistados do que pela razão cultural, o vôlei também tem ganhado protagonismo. Com exceções aqui e acolá, arrisco dizer que apenas esses dois esportes fazem parte do espectro de apreciação e de prática do brasileiro.

Várias são as razões para o "estreitamento esportivo" aqui no Brasil. A cultura já mencionada é uma delas. Outra, é a falta de incentivo das entidades governamentais para o oferecimento amplo de mais esportes, como forma de melhoramento do aprendizado, da confraternização, da saúde, enfim, como processo integrativo da educação. E, por fim, o filtro que a mídia exerce para escolher somente os esportes que dão mais audiência. Por exemplo, Fórmula 1 e MMA (nos últimos anos ganhou força) seriam barrados pelos dois impedimentos anteriores (a cultura e a falta de incentivo das entidades governamentais), mas não o são. Consequentemente, por terem mais espaço na mídia, causam maior interesse e, se não forem possíveis de serem praticados, pelo menos são mais apreciados.

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O esporte é muito diverso para se contentar apenas com duas ou três modalidades. É necessário abrir a visão para outras oportunidades, descobrir novos talentos (inclusive os próprios), sentir outras emoções peculiares a esportes diferentes. Hoje, convido-lhes a dar uma chance ao tênis. É bem verdade que esse esporte ascendeu após Guga Kuerten, mas ainda não ganhou a dimensão que deveria ganhar.

Vale esclarecer: por ser um esporte altamente elitizado aqui no Brasil, acredito que a prática encontre maiores empecilhos. Mas isso não impede que se aprecie o esporte. E nada melhor que conhecê-lo nesta semana, em que acontece o US OPEN (um dos 4 maiores eventos de tênis no ano) que já se encontra nas oitavas de finais, fase esta que é longe o suficiente para selecionar os melhores do mundo. Nela teremos o grande prazer de assistir a 4 lendas ainda em atividade no tênis: Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic e Serena Williams. Nadal (conhecido como El Toro) consegue aliar potência, garra, força psicológica e física. Federer, talvez o melhor de todos os tempos, consegue adaptar sua refinada técnica a qualquer condição do jogo, o que faz com que ele já aos 37 anos permaneça no topo, e sem previsões para saída. Não à toa, quando perguntado qual seria o jogador perfeito, André Agassi (outra lenda do tênis, porém já aposentado) respondeu: o que tiver o físico de Nadal e a técnica de Federer. Djokovic está voltando a sua boa fase depois de tanto tempo na amargura das oscilações técnicas e psicológicas que culminaram algumas derrotas. O próprio chegou a afirmar que voltou ao seu melhor nível técnico no Aberto dos Estados Unidos. E, Serena Williams, mulher que personifica força e agudez dentro de quadra, tenta seu primeiro título após ser mãe.


O calendário do futebol nacional pede socorro



Não é de hoje que o calendário do futebol brasileiro é muito questionado. Afinal, o excesso de jogos para os times grandes e o longevo período que os demais clubes ficam sem jogar é uma incógnita que a CBF parece não se incomodar.

Em 2017, Flamengo e Sport foram os times que mais sofreram com o desgaste das partidas no Brasil, as duas equipes ultrapassaram incríveis 80 jogos em apenas 1 temporada. Consequentemente, traz sérios problemas para os atletas, tornando-os ainda mais vulneráveis a lesões musculares pelo desgaste físico, também o pouco tempo para desenvolver seu futebol, visto que o número de treinamentos é cada vez menor, tendo apenas o tempo de recuperação para a próxima partida. O pouco treinamento também tem uma série de decorrências como: pouco tempo para os técnicos treinarem suas equipes comprometendo o futebol apresentado nas partidas, jogos com público muito baixo e menor desenvolvimento dos atletas, por exemplo, assim que surge um novo talento a maioria das pessoas no meio do futebol diz "Ele precisa ir para Europa, lá vai se desenvolver muito, crescer tecnicamente...”.

Para termos ideia a Associação de Clubes Europeus (ECA), grupo com os 14 clubes mais representativos do continente, se reuniu em março deste ano para discutir o calendário, pois muitos de seus atletas têm jogado demasiadamente por suas respectivas seleções, afetando o rendimento no clube. Na última temporada, somando as partidas pelo clube e pela seleção, o francês Antoine Griezmann foi quem jogou mais partidas, com 69. O número é alto realmente, motivo este que a ECA já planeja mudanças no calendário a partir de 2024; sim, até 2023 a UEFA já possui o escopo da temporada definida, bem diferente da nossa querida Conmebol.

Retornando o olhar para o futebol nacional, temos de um lado os grandes clubes sobrecarregados com excesso de partidas, e do outro lado os pequenos com o calendário extremamente defasado, para elucidar, no mês de setembro apenas 44 equipes do país farão jogos oficiais. Ao invés de colocar uma premiação astronômica para a Copa do Brasil, aumentando a disparidade econômica entre os grandes e os pequenos, a CBF não só poderia como deveria usar boa parte desse montante para organizar mais competições para clubes menores jogarem entre si, fomentando a paixão futebolística nos estados e regiões que não possuem clubes representativos.




O futebol pernambucano agoniza, mesmo assim, o Náutico é um bom exemplo

MATEUS PEDROSA

O futebol pernambucano passa por uma fase sombria. Num mesmo fim de semana, 3 resultados péssimos. Derrota do Sport e entrada na zona de rebaixamento da Série A, e não classificação de Santa Cruz e Náutico para a série B. Além disso, anteriormente o Salgueiro já havia descido da C para a D e o Central permanecido na fraca série D. Mas, diante de tantos acontecimentos nefastos, o nosso futebol ainda respira, tendo como principal exemplo a temporada do Timbu.

Para o futebol de Pernambuco seguir de mau a pior, há inúmeras razões, principalmente as que provêm de fora de campo. A Federação Pernambucana de Futebol (FPF) não é de hoje que toma decisões desastrosas, nada agradáveis para o futebol estadual; os clubes são passivos em relação à Federação, muitas vezes se submetendo a todas as decisões por "acordos de compadres"; os dirigentes dos clubes, em geral, são péssimos administradores, com pouco poder de articulação, pífia gestão de finanças, buscam compromissos nada realistas, o que acaba numa ilusão frustrante para os torcedores e, quando não, geram mais dívidas insolúveis, enfim, falta compromisso e seriedade para os que estão na organização. Como consequência, o aspecto externo tem influência direta no rendimento dentro de campo dos clubes, não só para os jogadores, mas para qualquer cidadão, é extremamente difícil trabalhar bem com salários atrasados, por exemplo.

Porém, o Náutico, indo de encontro a toda essa onda de desorganização do futebol estadual, ou melhor, nacional, fez uma temporada exemplar dentro e, principalmente, fora de campo. Contas em dia, planejamento, organização e seriedade na gestão. Não à toa o Timbu foi campeão pernambucano depois de tantos anos de jejum, fez uma boa campanha na Copa do Brasil e, após a chegada do técnico Márcio Goiano, foi um dos melhores da Série C. Pena que a incompetência dos jogadores para acertar a pontaria o tirou do acesso merecido à Série B. Mas, ressalta-se que o insucesso do Náutico é pontual e natural, por erros comuns cometidos numa partida de futebol. Fora das quatro linhas, reitero, o Alvirrubro pernambucano foi excelente. Que sirva de exemplo à administração capenga do Sport, à desorganização do Santa e à bagunça do Salgueiro.

Bom, depois dos insucessos dos times pernambucanos em suas competições, determinando, por exemplo, o fim precoce da temporada dos times da Série C e Série D, só nos resta acompanhar o rubro-negro pernambucano. E, se seguir dessa forma, mais ruínas virão. 


Mateus Pedrosa e o convidado Rafael Pereira analisam convocação de Tite


ANÁLISE DO COLUNISTA MATEUS PEDROSA


Depois da dura derrota na Copa, veio a renovação com Tite, e a tão esperada convocação chegou. Digna de um novo ciclo, ou melhor, continuidade de um ciclo, ela trouxe bons nomes, revelou o baixo rendimento de alguns jogadores que antes eram cotados, mostrou deficiência de produção em algumas posições.

A começar pelos goleiros, nada de surpreendente até lermos o nome de Hugo. Desconhecido para muitos, inclusive para mim. Mas diante do compromisso de Tite de convocar apenas um jogador titular de cada clube e da ausência por motivos pessoais do goleiro Ederson, as opções realmente ficaram escassas.

Na zaga, surgiram os nomes de Dedé e Felipe, o primeiro realizando uma ótima temporada junto ao Cruzeiro, e o segundo tendo papel decisivo no time do Porto. Geromel, zagueiro que integrou a Seleção no Mundial, ficou à margem justamente, já que tem idade avançada e passa por uma má fase no Grêmio, cumulando sucessivas falhas.

Na lateral-esquerda, nenhuma novidade. O técnico Tite manteve Filipe Luís e Alex Sandro, este que na minha visão mereceria ter ido à Rússia junto à Seleção, porque é extremamente capaz e porque Filipe Luís retornava de lesão. Mas como a seleção está no período de renovação, vale ficarmos atentos aos nomes de Jorge, Guilherme Arana e Alex Telles. Na lateral-direita, o símbolo da maior escassez de opção para o técnico Tite. Manteve a escolha por Fagner, jogador que faz o "feijão com arroz", mas não tem um diferencial digno da amarelinha, e por Fabinho, volante que jogou no Monaco um bom tempo improvisado na lateral direita. Com este, a seleção ganha com maior polivalência. Mas, fiquemos de olho em Éder Militão, ex-lateral direito do São Paulo recém transferido para o Porto.

No meio de campo, aparecerem nomes agradáveis, tais como Arthur, Andreas Pereira e Lucas Paquetá. Arthur é a jóia rara criada pelo Brasil nos últimos anos, um meia com extrema capacidade de criação, bom psicológico e aparenta ter maturidade de veterano. Andreas Pereira apresentou lampejos de bom futebol, mas ainda não se consolidou na Europa. Tem potencial, mas precisa parar de oscilar.

Com uma boa pré-temporada junto ao Manchester United, mereceu a convocação. Paquetá é outro meio campista raro, é versátil, tem vigor físico para marcar bem, e o melhor, qualidade para atacar. Confesso que não entendi a convocação de Renato Augusto. É um bom jogador, mas aos seus 30 anos, não acredito na perspectiva da sua convocação para a Copa de 2022, inclusive pela sua fragilidade física. Uma boa e merecida aposta para a vaga de Renato Augusto, por exemplo, poderia ser Bruno Henrique, meio campista do Palmeiras que faz excelente temporada. Ou então do já convocado Anderson Talisca.

Para o ataque, a grande novidade foi a convocação do centroavante Pedro. Um típico "camisa 9", oportunista, bom finalizador e ainda tem o plus de dar conta com a bola fora da área. Grande revelação do futebol brasileiro. Ele ficou, nitidamente, na vaga de Gabriel Jesus, que passa por má fase e começa a temporada no banco pelo Manchester City. Houve também a convocação de Éverton do Grêmio, que é uma novidade, mas já esperada e aclamada pelos brasileiros, uma vez que o atacante é o protagonista do belo time tricolor gaúcho. Está, inclusive, tendo mais protagonismo que Luan, possível nome para próximas convocações, se estiver em melhor fase. Como é um período de renovação, vale ficarmos atentos a David Neres, atacante do Ajax, Vinícius Jr., Malcom, Rodrygo do Santos, e Richarlison, atacante do Everton.


ANÁLISE DO CONVIDADO RAFAEL PEREIRA

Goleiros:


- Alisson: Convocação merecida. Tem a confiança de Tite, a titularidade dele fala por si só, a mudança para o Liverpool é uma grande oportunidade de desenvolvimento pela força da Premier League.


- Hugo: Convocação surpreendente, com boas opções no gol ele preferiu chamar um goleiro de base.


- Neto: Os treinamentos com Buffon e sua equipe na Juventus certamente o tornaram um jogador ainda melhor. Nesta temporada ele foi muito regular no Valência e a comissão técnica o acompanhou bem.


Laterais-Direitos:


- Fabinho: Ótimo jogador, atualmente é o mais pronto para uma competição de alto nível, considerando a idade avançada de Daniel Alves e não sabendo sua condição física após se lesionar gravemente. O grande desafio de Tite será readaptar o jogador a posição, visto que vem jogando como volante há um tempo, desde o Mônaco e foi contratado pelo Liverpool como meio campista.


- Fagner: É esforçado e cumpre o que o treinador pede mas não considero um jogador com nível para a seleção brasileira. Considero um erro sua convocação, inclusive tendo outras opções melhores para convocar.


Laterais-Esquerdos:


- Filipe Luís: Fez boa Copa do Mundo, merece a convocação, nesta temporada terá a sombra de Hernandez no Atlético de Madrid que fez boa Copa do Mundo pela França. Também fica a dúvida se terá condições de atuar na próxima Copa por conta da idade.


- Alex Sandro: Mais uma convocação justa, vem jogando muito bem na Juventus, fazendo até com que outros grandes europeus queiram sua contratação. Mereceu vaga na Copa do Mundo mas pelo fato da seleção ser tão bem servida na posição não esteve no grupo.


Zagueiros:


- Marquinhos: Convocação merecida. Pela idade, o alto nível que mantém e a experiência que ganhou na Rússia, tem tudo para ser titular no próximo mundial.


- Dedé: Bom jogador, espero que suas lesões não o atrapalhem mais e que ele consiga manter o nível.


- Thiago Silva: Um dos melhores zagueiros do mundo, muitas vezes subvalorizado pelos brasileiros. Como os principais zagueiros da seleção já passaram dos 30 anos ele será importantíssimo na renovação da posição.


- Felipe: Boa convocação, jogador está muito bem na Europa e merece a oportunidade.


Meio de Campo:


- Arthur: Convocação muito merecida. Jogador de enorme potencial, que não se intimida em jogo grande apesar da pouca idade, suas atuações pelo Grêmio e pré-temporada no Barcelona o credenciam na seleção.

- Casemiro: Convocação inquestionável, protege a defesa como poucos, um volante que atrela força e técnica, tanto para destruir jogadas adversárias como para construir jogadas da sua equipe.


- Lucas Paquetá: Jogador muito interessante, convocação esperada e merecida. Jogador que todo treinador gosta, tem técnica, vontade e uma versatilidade muito grande, será bastante útil para a seleção.


- Fred: Convocação merecida, jogador que deve se desenvolver bastante com a chegada na Premier League e em um time de ponta como o Manchester United, tem o perfil ideal para jogar no meio de campo da seleção, com boa chegada na frente e entrega na marcação.


- Coutinho: Convocação inquestionável, foi muito importante na Copa do Mundo, principalmente na fase de grupos.


- Andreas Pereira: Apesar de ser um jogador com grande potencial é ainda não é uma realidade, vamos ver se será aproveitado pelo Manchester United nesta temporada, mas acho difícil pela grande concorrência pela posição no clube.


- Renato Augusto: Vem jogando muito bem na China, mas acho que o ciclo dele na seleção acabou depois da Copa do Mundo, o Brasil tem opções melhores do que ele para o meio-campo.


Pontas e Atacantes:


- Neymar: Como todos sempre esperam o jogador mais talentoso da seleção, estanho seria se ele não estivesse.


- Douglas Costa: Quando solicitado por Tite na Copa do Mundo entregou o que se esperava, grande jogador, capacidade de mudar uma partida, merece a convocação.


- Willian: Apesar dos altos e baixos na Copa do Mundo merece a convocação, foi bem nas eliminatórias e foi um dos melhores jogadores do Chelsea na temporada. Vai precisar lutar pela vaga na seleção pelos jovens talentos brasileiros que jogam na sua posição.


- Pedro: Tem mostrado bom futebol e carregado o time do Fluminense nas costas, merece a convocação. Vale ressaltar a ausência de outro jogador com suas características que o favorece bastante para continuar sendo convocado.


- Roberto Firmino: Fez uma temporada sensacional com o Liverpool e merece muito a convocação, quando foi acionado durante a Copa correspondeu às expectativas.


- Everton: Tem mostrado grande futebol no Grêmio, desde a saída de Pedro Rocha do clube ele tomou conta da posição, merece a convocação.



Os perigosos bolsos da CBF atrapalham os mais simples clubes do futebol brasileiro

JOSÉ MATHEUS SANTOS O futebol brasileiro é decadente. Organizado pela CBF, instituição pela qual passaram um ex-presidente preso em Nova York, José Maria Marin, outro ex-mandatário suspeito de altos desvios, Ricardo Teixeira (mas a Justiça brasileira tão paladina da ética não investiga) e outro que, se sair do Brasil, é preso pela Interpol, mais conhecido como Marco Polo Del Nero. Recursos e verbas altas desviadas para seus “bolsos” e o esporte mais apaixonante do país segue precário.

Analisemos pelo calendário: a Série D do Campeonato Brasileiro, formada por 68 clubes, já terminou duas semanas com o acesso dos sortudos Treze/PB, São José/RS, Imperatriz/MA e o campeão glorioso Ferroviário/CE. Parabéns e festa para eles. Tristeza para outros: 64 clubes pararam as atividades até a metade de julho por conta do encerramento precoce da competição. Em uma conta rápida, amigos leitores e leitoras, são cerca de 1.280 jogadores desempregados, árbitros que reduzem seu trabalho, seja ele profissional ou um “bico”, fora os ambulantes que vendem alimentos e bebidas nas praças futebolísticas, além de diversos torcedores órfãos até o fim do ano.

Na Série C, no último final de semana, 12 clubes pararam as atividades e, agora, 8 partem para disputar 4 vagas pelo acesso, entre eles Náutico e Santa Cruz, pelos quais torcemos para fortalecer o futebol pernambucano na temporada 2019. Mas vamos trazer para uma realidade mais próxima nossa: supondo que alvirrubros e tricolores não consigam o acesso, o que estes dois tradicionais clubes farão a partir do dia 26 de agosto: Serão 4 meses e meio sem atuações, atletas desempregados, salários dos funcionários a mercê de um não pagamento (porque os deficitários clubes já não terão mais receitas) e milhares de torcedores da Cobra Coral e do Timbu sem desfrutar de seus respectivos times. Imagina os doze clubes que já pararam e nada terão para fazer durante quase um semestre.

O que isso nos mostra? Que é realmente cruel a forma como os altos mandatários da “Casa Bandida do Futebol” (CBF) tratam seus mais simples filiados clubes. Eles só estão preocupados com a Série A (que já tem seus defeitos) e com a Seleção Brasileira, que tem fracassos nas últimas 4 Copas do Mundo. Culpa também dos clubes, que seguem apoiando os corruptos e ineficazes dirigentes da CBF. Embora haja forte poder dos “coronéis” da CBF, as equipes poderiam se unir em prol e defesa de seus interesses, sobretudo, pedir uma temporada mais longa. Só há uma justificativa da CBF para a temporada das Série C e D serem tão curtas assim: o interesse pelos clubes maiores, que ajudam a engordar o tamanho de seus perigosos bolsos.



Caso Juninho revela contradição de dirigentes no futebol

MATEUS PEDROSA

Nos últimos dias, um das pautas mais levantadas no meio futebolístico foi a polêmica protagonizada pelo Corinthians e pelo jogador do Sport emprestado ao Ceará, o atacante Juninho. Ao anunciar a negociação com o atacante, na data da comemoração de 12 nos da Lei Maria da Penha, o alvinegro paulista fomentou uma imensa rejeição à contratação do jogador, pelo seu envolvimento em um caso de agressão à sua ex-namorada, e um extracampo conturbado. Em seguida, a diretoria corintiana divulgou a desistência da firmação do contrato com o atleta. Milhares de pessoas foram a favor, outras milhares, contra. Outros ficaram "em cima do muro".

Essa polêmica, nos revela, principalmente, algo que é debatido incansavelmente todos os dias acerca do futebol brasileiro: a falta de convicção dos dirigentes. Isso porque a contratação tinha como objetivo a reconstrução social e moral do jogador, juntamente com a aposta no seu potencial futebolístico. Mas, com as críticas avassaladoras por meio das redes sociais, os dirigentes não pensaram duas vezes, e imediatamente desistiram da contratação. Ora, ou você decide apostar no potencial do jogador, enfrentando a dificuldade extracampo, ou você nem o procura por causa das suas pendências disciplinares.

Outro ponto nessa polêmica: o Corinthians, se fechasse o acordo com Juninho, de forma alguma seria conivente com o machismo, ou com a agressão à mulher. Inclusive, poderia revelar o contrário, uma vez que tentaria recuperar, reeducar e reintegrar o jogador às normas sociais consideradas adequadas. Um bom exemplo, é o caso de Raniel, atualmente jogador do Cruzeiro, mas que, antes de ir ao time mineiro, estava aqui no Santa Cruz, enfrentando dificuldades extracampo, principalmente pelo uso de drogas. Ora, ao contratar Raniel, a instituição do Cruzeiro foi conivente com o uso ou até com o tráfico de drogas? Óbvio que não! É necessário separar dois universos, o universo jurídico e o universo do futebol. Enquanto Juninho não for condenado, o universo judicial não pode atrapalhar o mundo esportivo. Há quem defenda que se espere a decisão judicial, para posteriormente oferecer as devidas oportunidades no futebol ao jogador. Essa posição não faz algum sentido. Primeiro porque a justiça brasileira é lentíssima, e a resolução do processo judicial pode demorar anos. Segundo porque, ao final do processo, Juninho pode ser consagrado inocente. Ou seja, ele perderia um bom tempo parado de forma injusta.

Portanto, sabendo que as providências cabíveis já estão sendo tomadas na justiça, deve-se tratar Juninho como um jovem que erra, que comete crimes. Nós, enquanto sociedade, não devemos, ou melhor, não deveríamos nos invocar no poder de julgador das vidas alheias, até porque não temos competência para isso. Deve-se, sim, usar o esporte como meio de ressocialização, reintegração, enfim, como meio de inclusão. Juninho só poderá evoluir fazendo o melhor que sabe: jogando futebol. Tirá-lo do futebol só piorará a situação. Novas oportunidades devem ser oferecidas na tentativa de engrandecê-lo.


Sport: um clube apático e desorganizado, dentro e fora de campo

MATEUS PEDROSA

Confesso que, por questões diversas, fazia algum tempo que não assistia aos jogos do Sport. Ouvia ruídos por todos os cantos do Recife que, após a Copa do Mundo, as atuações  do time eram desastrosas. Então, nesse domingo (05), resolvi ver friamente a atuação do Sport frente à Chapecoense, time contra o qual o Leão tinha 100% de aproveitamento quando jogava na Ilha do Retiro.

Que o rubro-negro pernambucano não tinha qualidade técnica, era previsível. Inclusive, raras são as vezes em que o time do Sport passa uma temporada "arrumado". Mas, o que instiga o torcedor, sobretudo, é a raça, a gana, peculiares em cada jogador, honrando o peso do manto vermelho e preto a cada segundo. E, quando faltam fundamentos técnicos e vontade de vencer, o resultado é inevitável e implacável. Pois é, o Sport atualmente é um time apático, inerte, sonolento, negligente, omisso, hipossuficiente. Adjetivos dessa qualidade não faltam.

Claro que os jogadores e o técnico não podem carregar essa culpa sozinhos. A situação calamitosa que passa o Sport é fruto, principalmente, da diretoria bagunçada que administra o clube. Salários atrasados, dívidas aumentando, principais jogadores vendidos e nada de reposição a altura são as chaves do insucesso rubro-negro.

Magrão é, indubitavelmente, o melhor jogador do time. E, quando o goleiro é o "craque", certamente tem muita coisa errada. A dupla de zaga, principalmente Ronaldo Alves, apesar de um físico notório, dentro de campo, apresenta-se de forma impotente. A dupla de laterais tem seus lampejos de boas atuações. Sander é um dos mais esforçados, é o jogador que carrega consigo aquela raça que o torcedor gosta, apesar das limitações técnicas. Cláudio Winck acerta uns passes aqui e acolá, mas na marcação e no domínio de bola deixa muito a desejar. Deivid de volante é um "Deus nos acuda", além de não ter qualidade técnica para ajudar na armação do time, é franzino e lento para dar o combate na marcação. Em resumo, é inútil para o time. Felipe Bastos ainda se salva, tem qualidade no passe, marca bem, mas não pode ter 2 metros de espaço que quer chutar, não importa de onde seja. Muitas vezes, toma a decisão errada. Gabriel, junto a Magrão, é o jogador que dá gosto em ver jogar. Ao menos ontem, era o único capaz de refinar o meio de campo, sempre com toques precisos, dribles cirúrgicos, bons chutes de fora da área e o mais importante, vontade de vencer. Marlone é o símbolo da escassez de qualidade técnica no Sport. Um jogador que trota em campo, esconde-se a todo tempo, e raramente acerta um cruzamento, definitivamente não merece a 10. Andrigo não sabe se conduz a bola ou se tropeça nela. Carlos Henrique é outro que sobrevive à bagunça, tem garra, no seu papel de centroavante é competente, mas num time em que os pontas não tem coragem, ele tem que sair para buscar o jogo e acaba assumindo o ônus de sair da sua posição. Mas, em suma, é um jogador produtivo para o time.

É por causa desse time titular, extremamente confuso, pelo menos contra a Chape, que o Sport conseguiu arrancar um empate, dentro de casa, com gosto de vitória. Lamento por essa situação, mas nos próximos jogos, contra São Paulo e Santos, será difícil fugir da zona de rebaixamento, ainda no primeiro turno. Remédio para tantos defeitos, não sei se é possível. Mas uma mudança de postura dentro de campo é o mínimo!


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