MATEUS PEDROSA
Nos últimos dias, um das pautas mais levantadas no meio
futebolístico foi a polêmica protagonizada pelo Corinthians e pelo jogador do
Sport emprestado ao Ceará, o atacante Juninho. Ao anunciar a negociação com o
atacante, na data da comemoração de 12 nos da Lei Maria da Penha, o alvinegro
paulista fomentou uma imensa rejeição à contratação do jogador, pelo seu
envolvimento em um caso de agressão à sua ex-namorada, e um extracampo
conturbado. Em seguida, a diretoria corintiana divulgou a desistência da
firmação do contrato com o atleta. Milhares de pessoas foram a favor, outras
milhares, contra. Outros ficaram "em cima do muro".
Essa polêmica, nos revela, principalmente, algo que é
debatido incansavelmente todos os dias acerca do futebol brasileiro: a falta de
convicção dos dirigentes. Isso porque a contratação tinha como objetivo a
reconstrução social e moral do jogador, juntamente com a aposta no seu
potencial futebolístico. Mas, com as críticas avassaladoras por meio das redes
sociais, os dirigentes não pensaram duas vezes, e imediatamente desistiram da
contratação. Ora, ou você decide apostar no potencial do jogador, enfrentando a
dificuldade extracampo, ou você nem o procura por causa das suas pendências
disciplinares.
Outro ponto nessa polêmica: o Corinthians, se fechasse o
acordo com Juninho, de forma alguma seria conivente com o machismo, ou com a
agressão à mulher. Inclusive, poderia revelar o contrário, uma vez que tentaria
recuperar, reeducar e reintegrar o jogador às normas sociais consideradas
adequadas. Um bom exemplo, é o caso de Raniel, atualmente jogador do Cruzeiro,
mas que, antes de ir ao time mineiro, estava aqui no Santa Cruz, enfrentando dificuldades
extracampo, principalmente pelo uso de drogas. Ora, ao contratar Raniel, a
instituição do Cruzeiro foi conivente com o uso ou até com o tráfico de drogas?
Óbvio que não! É necessário separar dois universos, o universo jurídico e o
universo do futebol. Enquanto Juninho não for condenado, o universo judicial
não pode atrapalhar o mundo esportivo. Há quem defenda que se espere a decisão
judicial, para posteriormente oferecer as devidas oportunidades no futebol ao
jogador. Essa posição não faz algum sentido. Primeiro porque a justiça
brasileira é lentíssima, e a resolução do processo judicial pode demorar anos.
Segundo porque, ao final do processo, Juninho pode ser consagrado inocente. Ou
seja, ele perderia um bom tempo parado de forma injusta.
Portanto, sabendo que as providências cabíveis já estão sendo
tomadas na justiça, deve-se tratar Juninho como um jovem que erra, que
comete crimes. Nós, enquanto sociedade, não devemos, ou melhor, não deveríamos
nos invocar no poder de julgador das vidas alheias, até porque não temos
competência para isso. Deve-se, sim, usar o esporte como meio de
ressocialização, reintegração, enfim, como meio de inclusão. Juninho só poderá
evoluir fazendo o melhor que sabe: jogando futebol. Tirá-lo do futebol só
piorará a situação. Novas oportunidades devem ser oferecidas na tentativa de
engrandecê-lo.