Não é de hoje que o calendário do futebol brasileiro é muito questionado. Afinal, o excesso de jogos para os times grandes e o longevo período que os demais clubes ficam sem jogar é uma incógnita que a CBF parece não se incomodar.
Em 2017, Flamengo e Sport foram os times que mais sofreram com o desgaste das partidas no Brasil, as duas equipes ultrapassaram incríveis 80 jogos em apenas 1 temporada. Consequentemente, traz sérios problemas para os atletas, tornando-os ainda mais vulneráveis a lesões musculares pelo desgaste físico, também o pouco tempo para desenvolver seu futebol, visto que o número de treinamentos é cada vez menor, tendo apenas o tempo de recuperação para a próxima partida. O pouco treinamento também tem uma série de decorrências como: pouco tempo para os técnicos treinarem suas equipes comprometendo o futebol apresentado nas partidas, jogos com público muito baixo e menor desenvolvimento dos atletas, por exemplo, assim que surge um novo talento a maioria das pessoas no meio do futebol diz "Ele precisa ir para Europa, lá vai se desenvolver muito, crescer tecnicamente...”.
Para termos ideia a Associação de Clubes Europeus (ECA), grupo com os 14 clubes mais representativos do continente, se reuniu em março deste ano para discutir o calendário, pois muitos de seus atletas têm jogado demasiadamente por suas respectivas seleções, afetando o rendimento no clube. Na última temporada, somando as partidas pelo clube e pela seleção, o francês Antoine Griezmann foi quem jogou mais partidas, com 69. O número é alto realmente, motivo este que a ECA já planeja mudanças no calendário a partir de 2024; sim, até 2023 a UEFA já possui o escopo da temporada definida, bem diferente da nossa querida Conmebol.
Retornando o olhar para o futebol nacional, temos de um lado os grandes clubes sobrecarregados com excesso de partidas, e do outro lado os pequenos com o calendário extremamente defasado, para elucidar, no mês de setembro apenas 44 equipes do país farão jogos oficiais. Ao invés de colocar uma premiação astronômica para a Copa do Brasil, aumentando a disparidade econômica entre os grandes e os pequenos, a CBF não só poderia como deveria usar boa parte desse montante para organizar mais competições para clubes menores jogarem entre si, fomentando a paixão futebolística nos estados e regiões que não possuem clubes representativos.