Nem São Magrão para evitar os gols contras feitos pela administração Nem São Magrão para evitar os gols contras feitos pela administração ( Carlos Ezequiel Vannoni )

Sport é cada vez mais golpeado fora de campo e permanência na série se torna pouco possível

MATEUS PEDROSA

            Quando o rubro-negro pernambucano começava a evoluir dentro das quatro linhas, apesar da melhora no futebol não ser revertida em vitória, o fio finíssimo de esperança que restava no torcedor na fé da permanência na série A ganhou muitos sintomas de rompimento. Após a derrota para o Palmeiras no domingo (23), o Sport tomou mais um gol contra: Eduardo Baptista, seu auxiliar técnico e a diretoria de futebol abandonaram o barco prestes ao afundamento.

            Num olhar imediatista, uma boa dose de culpa poderia ser imputada ao técnico, o que se revelaria de uma injustiça tremenda. Tal culpa é muito mais remota e tem raízes na péssima gestão dos dirigentes, principalmente Arnaldo Barros. Vale ressaltar que o elenco do Sport não é um dos melhores, mas também não é dos piores. A estrutura do clube é sempre admirada por técnicos e jogadores que vêm do sul. De fato, o rubro-negro é potencialmente o maior clube do Nordeste, tendo talvez o Bahia como o maior rival no âmbito regional. Mas com uma gestão em que há pendências financeiras significativas, tendo, por exemplo, 2 meses de atrasos salariais, causas trabalhistas cumuladas cada vez mais no setor jurídico do clube, má articulação dos gestores com outros setores do clube (atente-se para a "crise" protagonizada por Felipe Bastos e Michel Bastos ao fazerem declarações irônicas nas redes sociais e o pouco tato dos gestores para solucionar), a força do time não tem como sair da potencialidade, das declarações motivacionais ou das falas ilusionistas. Além disso, o presidente, nas suas declarações, é pouco conclusivo. Fala obviedades, omite-se diante de tantos erros e apresenta justificativas injustificáveis.

            Agora, para o rumo do Sport ser positivo, fica difícil acreditar que não dependa de um milagre. O time terá o quarto treinador na temporada e toda uma nova diretoria de futebol, o que escancara a receita do fracasso. Se a gestão já era ruim com uma diretoria já consolidada, não sei o que esperar dela com uma diretoria nova. Será possível admitir novas diretrizes, novas formas de trabalho, novas relações que são potencialmente geradoras de atrito em pleno fim de temporada? Ou a nova diretoria veio apenas para submeter-se incondicionalmente ao presidente? Além disso, difícil é para um elenco digerir uma nova filosofia de trabalho quando uma já estava em construção. Será, mais do que já era, árduo para o Leão enfrentar essa situação, principalmente com o escasso apoio dos torcedores.

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