MATEUS PEDROSA
Quando o
rubro-negro pernambucano começava a evoluir dentro das quatro linhas, apesar da
melhora no futebol não ser revertida em vitória, o fio finíssimo de esperança
que restava no torcedor na fé da permanência na série A ganhou muitos sintomas
de rompimento. Após a derrota para o Palmeiras no domingo (23), o Sport tomou
mais um gol contra: Eduardo Baptista, seu auxiliar técnico e a diretoria de
futebol abandonaram o barco prestes ao afundamento.
Num olhar
imediatista, uma boa dose de culpa poderia ser imputada ao técnico, o que se
revelaria de uma injustiça tremenda. Tal culpa é muito mais remota e tem raízes
na péssima gestão dos dirigentes, principalmente Arnaldo Barros. Vale ressaltar
que o elenco do Sport não é um dos melhores, mas também não é dos piores. A
estrutura do clube é sempre admirada por técnicos e jogadores que vêm do sul.
De fato, o rubro-negro é potencialmente o maior clube do Nordeste, tendo talvez
o Bahia como o maior rival no âmbito regional. Mas com uma gestão em que há pendências
financeiras significativas, tendo, por exemplo, 2 meses de atrasos salariais,
causas trabalhistas cumuladas cada vez mais no setor jurídico do clube, má
articulação dos gestores com outros setores do clube (atente-se para a
"crise" protagonizada por Felipe Bastos e Michel Bastos ao fazerem
declarações irônicas nas redes sociais e o pouco tato dos gestores para
solucionar), a força do time não tem como sair da potencialidade, das
declarações motivacionais ou das falas ilusionistas. Além disso, o presidente,
nas suas declarações, é pouco conclusivo. Fala obviedades, omite-se diante de
tantos erros e apresenta justificativas injustificáveis.
Agora, para
o rumo do Sport ser positivo, fica difícil acreditar que não dependa de um
milagre. O time terá o quarto treinador na temporada e toda uma nova diretoria
de futebol, o que escancara a receita do fracasso. Se a gestão já era ruim com
uma diretoria já consolidada, não sei o que esperar dela com uma diretoria nova.
Será possível admitir novas diretrizes, novas formas de trabalho, novas
relações que são potencialmente geradoras de atrito em pleno fim de temporada?
Ou a nova diretoria veio apenas para submeter-se incondicionalmente ao presidente?
Além disso, difícil é para um elenco digerir uma nova filosofia de trabalho
quando uma já estava em construção. Será, mais do que já era, árduo para o Leão
enfrentar essa situação, principalmente com o escasso apoio dos torcedores.