MATEUS PEDROSA
O futebol pernambucano passa por uma fase sombria. Num mesmo
fim de semana, 3 resultados péssimos. Derrota do Sport e entrada na zona de
rebaixamento da Série A, e não classificação de Santa Cruz e Náutico para a
série B. Além disso, anteriormente o Salgueiro já havia descido da C para a D e
o Central permanecido na fraca série D. Mas, diante de tantos acontecimentos
nefastos, o nosso futebol ainda respira, tendo como principal exemplo a
temporada do Timbu.
Para o futebol de Pernambuco seguir de mau a pior, há inúmeras
razões, principalmente as que provêm de fora de campo. A Federação Pernambucana
de Futebol (FPF) não é de hoje que toma decisões desastrosas, nada agradáveis
para o futebol estadual; os clubes são passivos em relação à Federação, muitas
vezes se submetendo a todas as decisões por "acordos de compadres";
os dirigentes dos clubes, em geral, são péssimos administradores, com pouco
poder de articulação, pífia gestão de finanças, buscam compromissos nada
realistas, o que acaba numa ilusão frustrante para os torcedores e, quando não,
geram mais dívidas insolúveis, enfim, falta compromisso e seriedade para os que
estão na organização. Como consequência, o aspecto externo tem influência direta
no rendimento dentro de campo dos clubes, não só para os jogadores, mas para
qualquer cidadão, é extremamente difícil trabalhar bem com salários atrasados,
por exemplo.
Porém, o Náutico, indo de encontro a toda essa onda de
desorganização do futebol estadual, ou melhor, nacional, fez uma temporada
exemplar dentro e, principalmente, fora de campo. Contas em dia, planejamento,
organização e seriedade na gestão. Não à toa o Timbu foi campeão pernambucano
depois de tantos anos de jejum, fez uma boa campanha na Copa do Brasil e, após
a chegada do técnico Márcio Goiano, foi um dos melhores da Série C. Pena que a
incompetência dos jogadores para acertar a pontaria o tirou do acesso merecido
à Série B. Mas, ressalta-se que o insucesso do Náutico é pontual e natural, por
erros comuns cometidos numa partida de futebol. Fora das quatro linhas,
reitero, o Alvirrubro pernambucano foi excelente. Que sirva de exemplo à
administração capenga do Sport, à desorganização do Santa e à bagunça do
Salgueiro.
Bom, depois dos insucessos dos times pernambucanos em suas
competições, determinando, por exemplo, o fim precoce da temporada dos times da
Série C e Série D, só nos resta acompanhar o rubro-negro pernambucano. E, se
seguir dessa forma, mais ruínas virão.