Chega de desorganização no futebol brasileiro

Que o futebol brasileiro, da CBF até os clubes, salvo raras exceções, é desorganizado, não é novidade para os acompanhantes do esporte. Claro que essa bagunça é institucional, tendo como protagonistas os dirigentes e como coadjuvantes, a torcida, os jogadores, os empresários, entre outros. Porém, o fio de esperança por uma evolução, por mais fino que seja, ainda reluta no coração de cada amante do universo futebolístico, e não poderia ser diferente. A questão é que, na medida em que nos aproximamos da 38º rodada do Brasileirão, esse fio fica cada vez mais na iminência de romper.

Palmeiras demite Roger Machado e contrata Felipão. Santos destitui Jair ventura e acerta com Cuca. Essas foram umas das principais notícias da semana no universo do esporte. Contratação de técnicos consagrados para comandarem times que almejam bons resultados ao fim da temporada. Até aí, nenhum problema. Mas o que motiva essas contratações? Quais objetivos? O que há planejado? Há um bom espaço para desenvolver as ideias? Ou essas contratações são apenas uma resposta imediata e irrefletida para tentar uma possível, mas não arquitetada, melhora? Talvez os dirigentes de tais clubes (mas também, os da maioria dos clubes brasileiros) não se questionem acerca dessas hipóteses e das possíveis consequências para, assim, criar um lastro para uma temporada promissora e estruturada. Preferem, no entanto, administrar o clube conforme os tropeços, as más escolhas, e o engraçado, tendo como solução ou paliativo, novas más escolhas, ou no mínimo, atitudes incoerentes.

O Palmeiras começou o brasileiro com Roger, técnico jovem, com suas características peculiares de armar o time e de administrar o vestiário, em seu comando técnico. Uma aposta. Até então, não convencia, mas o trabalho posto não era ruim. Conseguiu a melhor campanha da primeira fase da Libertadores, avançou na Copa do Brasil, e atingiu uma colocação amena para os objetivos traçados, na série A. O Santos iniciou a temporada com Jair Ventura como técnico que, assim como Roger, é uma aposta. O time santista se classificou bem, em primeiro lugar do grupo, na Libertadores, avançou na Copa do Brasil, mas no campeonato brasileiro está um desastre, beirando a zona de rebaixamento. Diante dos rendimentos insatisfatórios, vieram as temidas e desastrosas demissões. Não se sabe se, de fato, foi pelos resultados obtidos, se foi por pressão política, se foi por desgaste nos relacionamentos internos. Com a administração caótica da maioria dos clubes brasileiros, realmente fica difícil encontrar a motivação verdadeira.

Questiona-se, aqui, entretanto, a má gestão, a incoerência, a falta de compromisso com os planos originários dos dirigentes. Não faz sentido apostar em técnicos jovens no começo da temporada e, posteriormente, recorrer a "medalhões" do futebol para tapar os buracos existentes. É preciso manter a filosofia do comando técnico. Das armações táticas, da administração do vestiário dos técnicos Roger e Jair Ventura para Felipão e Cuca, há uma baita discrepância. No mais, se é por incapacidade, por corrupção ou por egocentrismo, ou até pela soma disso tudo, as inúmeras gestões desastrosas no futebol brasileiro, eu não sei. E também não sei até quando o dito fio de esperança vai aguentar. De tanta hipocrisia dos "poderosos", o torcedor está farto!


Arena de Pernambuco pode sediar Copa América 2019

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, afirmou na manhã desta sexta-feira (27), em entrevista à Rádio Jornal, que a Arena de Pernambuco, localizada em São Lourenço da Mata, no Grande Recife, pode ainda sediar a Copa América 2019, que acontecerá no Brasil, inclusive recebendo jogos da Seleção Brasileira.

"Existe a alternativa de viabilidade que a seleção possa jogar na Arena. Temos uma dificuldade muito grande que é relatório de mobilidade, que é questão do limite de espectadores, mas isso conseguimos suprimir e fizemos da outra vez com o incremento do valor no ingresso. E fizemos a compensação financeira do deficit numeral de ingressos à venda, mas não é uma briga muito fácil. Porque não depende só da CBF, depende da Conmebol, mas continuamos. Na terça-feira teremos uma reunião definitiva no Rio de Janeiro, com a equipe da Conmebol e CBF e voltamos com a conclusão", argumentou o presidente da FPF em entrevista a André Luiz Cabral.

Até agora, é certo que São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador sediarão a competição. O torneio vai ocorrer entre os dias 7 e 30 de junho de 2019. A última vez que o Brasil sediou a competição continental foi em 1989. A Canarinha foi campeã em vitória sobre o Uruguai.

Participarão da competição as 10 seleções sul-americanas (Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru, Chile, Paraguai, Venezuela, Equador e Bolívia) e mais duas convidadas (Japão e Catar).


O que está por trás dos 10 candidatos ao prêmio de melhor jogador do mundo

MATEUS PEDROSA

A FIFA divulgou, nesta terça-feira (24), a lista dos 10 candidatos ao prêmio FIFA The Best Men's Player 2018, sendo eles: Cristiano Ronaldo, Kevin De Bruyne, Antoine Griezmann, Eden Hazard, Harry Kane, Kylian Mbappe, Lionel Messi, Luka Modric, Mohamed Salah e Raphael Varane.  Para a seleção dos jogadores, a análise foi feita baseada nos seus desempenhos entre 3 de julho de 2017 e 15 de julho de 2018, exatamente a data de início da temporada européia e a data da final da Copa do Mundo. A lista foi indicada por uma equipe composta por ex-jogadores e treinadores considerados  “Lendas da FIFA”, integrada pelos brasileiros Kaká, Ronaldo e Carlos Alberto Parreira, por exemplo.

Porém, para saber qual jogador se consagrará melhor do mundo, é preciso esperar a votação, que terá os seguintes pesos: 25% para votação popular (através do site da FIFA), 25% para técnicos das seleções nacionais, o mesmo percentual para os capitães das seleções e os restantes 25% para os jornalistas, todos esses provenientes dos mais de 200 países filiados à FIFA. A decisão final será divulgada na festa de gala no dia 24 de setembro, em Londres.

Para ajudar os leitores numa análise mais profunda e na avaliação para um possível voto, o PortalRCF selecionou os principais fatos e números que fizeram com que os jogadores chegassem a esse patamar nessa temporada.



Cristiano Ronaldo

Atual detentor do título, o atacante português continua incansável, sempre comandando as equipes em que joga, tanto na parte técnica, como na psicológica. Nessa temporada conquistou mais um título da Champions League pelo Real Madrid, teve boas atuações pela seleção de Portugal, apesar da desclassificação nas oitavas de final da Copa do Mundo. Os números do atual melhor do mundo na temporada 2017/2018, junto à seleção e ao Real Madrid, foram nada mais, nada menos que 50 gols em 51 jogos.

 

Kevin De Bruyne

Peça imprescindível para o time avassalador do Manchester City, foi um dos principais jogadores a conduzir o time ao título da Premier League. O belga também fez ótimas apresentações na temporada junto à sua seleção, sendo sempre cirúrgico com passes decisivos, o que contribuiu para a 3ª colocação no Mundial. Nós, brasileiros, nunca nos esqueceremos da ótima apresentação que De Bruyne fez na Copa do Mundo contra a seleção Canarinha. O jogador, na temporada 2017/2018,fez 14 gols e deu 26 assistências.

 

Antoine Griezmann

O atacante do Atlético de Madrid e da França já apresentava boas atuações durante a temporada regular pelo seu clube, tendo como êxito o título da Liga Europa. Inclusive, fez com que o Barcelona demonstrasse manifesto interesse pela sua contratação. Mas, pelas atuações no clube espanhol, Griezmann, ainda não tinha fincado os pés entre os 10 melhores. De fato, o título Copa do Mundo foi fator decisivo para consagrar o atacante entre os 10 melhores do mundo, uma vez que ele foi brilhante em suas atuações pela seleção e chegou a ser premiado por ser o Man of the Match da final da Copa de 2018. Os seus números nessa temporada são: 37 gols e 20 assistências em 67 jogos.

 

Eden Hazard

Apagado, assim como todo o time do Chelsea, não teve bons números pelo seu clube. Porém, na Copa do Mundo, junto à seleção, o belga apresentou um excelente futebol, sendo um dos mais cotados candidatos ao prêmio de Craque da Copa. Foi, sem dúvidas, o principal jogador da Bélgica no Mundial, com uma efetividade incrível nos dribles para criar espaços, tanto para finalizar, quanto para dar assistências. Seus números na temporada 2017/2018 são: 25 gols e 9 assistências em 67 jogos.

 

Harry Kane

O capitão do Tottenham e da Inglaterra fez ótima temporada junto ao seu clube e à seleção. Pelo clube, conseguiu ajudá-lo a ficar na terceira colocação da liga mais disputada do mundo, a Premier League. Já com a seleção inglesa, o centroavante ganhou extremo destaque, sendo o artilheiro da Copa do Mundo e ajudando a conseguir o quarto lugar. Por essa temporada brilhante, Kane causou interesse do Real Madrid. Os números do atacante nessa temporada são: 55 gols em 61 jogos.

 

Kylian Mbappe

Com apenas 19 anos, o atacante consegue apresentar um futebol de “gente grande”. Sempre encantando a todos, Mbappe conseguiu ajudar o PSG a conquistar o título nacional, e foi imprescindível à França na conquista do Mundial. Eleito o jogador revelação da Copa do Mundo de 2018, o jovem apresenta, nessa temporada, as seguintes estatísticas: 29 gols e 20 assistências em 64 jogos.

 

Lionel Messi

Capitão do Barcelona e da seleção argentina, fez uma excelente temporada, principalmente junto ao seu clube. Apresentando-se pela conturbada Argentina, Messi conseguiu apenas alguns lampejos de genialidade. Mas com o Barcelona, o atacante alcançou belos resultados, como o título da LaLiga, por exemplo. Seus números na temporada 2017/2018 são: 52 gols e 21 assistências em 64 jogos.

 

Luka Modric

O maestro do Real Madrid e da Croácia fez uma temporada brilhante, como sempre, no clube espanhol, e surpreendente, pela seleção. Conquistou a Champions League mais uma vez com os galáticos e liderou a Croácia no Mundial, conseguindo alcançar a final e o título de Craque da Copa. Seus números na temporada foram: 5 gols e 11 assistências em 59 jogos.

 

Mohamed Salah

O atacante agradou a todos com suas exibições, principalmente pelo Liverpool. Conseguiu quebrar recordes individuais na Premier League, e liderou o seu clube até a chegada na final da Champions. É fato que Salah perdeu força após o fiasco egípcio na Copa. Mas levando em conta toda a temporada 2017/2018, o artilheiro ainda tem bastante prestígio no prêmio da Fifa. Os seus números, na temporada, foram: 50 gols e 16 assistências em 58 jogos.

 

Raphael Varane

Talvez seja o nome mais polêmico da lista, mas é o único a ser detentor dos títulos da Copa do Mundo, da Champions League e do Mundial de Clubes.

 

Uma advertência é necessária: o objetivo da apresentação das estatísticas é apenas atingir um embasamento melhor. Não se pode abraçar cegamente a frieza dos números, muitas vezes, jogadores apresentam características importantíssimas, mas que não recaem nas estatísticas.


Tite aceita proposta e renova com a Seleção

O técnico Tite renovou o contrato com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para comandar a Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Catar.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o acordo foi fechado nesta quarta (25) e os valores não foram revelados. Tite recebe 600 mil por mês desde quando chegou ao cargo em 2016. Aumentos não devem ser feitos.

A Seleção caiu nas quartas de final da Copa da Rússia após perder por 2 a 1 para a Bélgica na Arena Kazan. Logo após a derrota, membros da CBF já demonstravam interesse na permanência do treinador para o novo ciclo de 4 anos.

Apesar da boa campanha durante as Eliminatórias da Copa, o Brasil não conseguiu apresentar um bom futebol no Mundial recente e teve atuações questionadas. A comissão técnica também mostrou dificuldades na condução da performance do jogador Neymar durante a competição na Rússia.

Agora, o objetivo inicial é vencer a Copa América 2019. O Brasil sediará o torneio com 5 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, e a única nordestina, Salvador. Até a competição continental, a Canarinha deve fazer 8 amistosos. Os dois primeiros embates de preparação já ocorrerão em setembro nos Estados Unidos: no dia 7 contra os donos da casa e, no dia 11, provavelmente contra El Salvador.

O retrospecto de Tite na Canarinha é de 26 jogos. 20 vitórias, 4 empates e duas derrotas.


Neymar, ainda menino aos 26 anos

Silente desde a desclassificação do Brasil no Mundial (06 de julho), Neymar, enfim, apareceu para se comunicar oficialmente com a imprensa no evento do Instituto Neymar Jr., na última quinta (19). Após quase duas semanas, o jogador, de fato, comunicou-se com a nação brasileira.

Sim, de fato, porque, antes, o camisa 10 da seleção brasileira apenas tinha se pronunciado através do Instagram. A princípio, não teria problema. A questão é que em tal rede social o campo de debate é restrito, uma vez que possibilita a limitação dos seguidores que podem comentar nas publicações do atleta. Ademais, de maneira óbvia, mas peculiar, a rede social apenas permite como reação aos posts, “a curtida”, o que dificulta a manifestação de críticas, pois além de permitir a filtragem dos que podem comentar, também inexiste um meio para mostrar insatisfação diante das publicações. Portanto, Neymar só “deu a cara à tapa” depois de quase duas longas semanas após a derrota do Brasil.

Se há dúvida que Neymar foi, e é, imaturo, essa dúvida apenas paira sobre as cabeças do estafe do jogador e do próprio. Quanto à imaturidade do craque ao surgir no futebol brasileiro, não há incerteza, até porque ela era natural e compatível com a sua idade. Porém, após quase 9 temporadas no profissional, Neymar insiste em agir como adolescente, ou melhor, como menino. Então, após a perda na Copa do Mundo, após a viralização de “memes”, após especulações de mercado, aguardou-se o pronunciamento do atacante do PSG e da seleção brasileira, para esclarecer algumas questões, mas também para sabermos ou, talvez, evidenciarmos se Neymar continua menino ou se, enfim, tornou-se adulto.

Antes de falar especificamente das declarações de Neymar, é necessário fazer uma ponderação. É claro que o craque não jogou o melhor do seu futebol na Copa do Mundo, mas é bom lembrarmos que ele voltava de lesão e, para quem retorna de lesão e realiza apenas dois jogos (amistosos contra Croácia e Áustria), definitivamente, não é fácil. E, levando em consideração tais circunstâncias, a atuação foi de razoável para boa. É relevante essa reflexão porque as críticas principais não recaíram, e nem poderiam, sobre as atuações do jogador, mas sim sobre as simulações, os exageros, o anti-jogo, as tentativas de trapaça dentro de campo, e as reações dentro e fora das quatro linhas.

Que o potencial de Neymar é de gênio, ninguém duvida. Pode-se até falar que há traços de divindade. O que falta mesmo no jogador são traços de humanidade. Explico-lhes os porquês. Nas suas polêmicas declarações, o atacante se mostrou, em primeiro lugar, bastante superficial, com falas pouco esclarecedoras e aprofundadas. Além disso, ressaltou-se a arrogância e a soberba do jogador, uma vez que em nenhum momento ele se utilizou das críticas de maneira reflexiva para, no futuro, apresentar melhoras diante das falhas cometidas. Como exemplos, o atleta utilizou-se de falas como “pegaram no pé de quem sofre falta, e não de quem faz”, “sou criticado por tudo, quando falo ou deixo de falar”, “Depois que perde, as coisas caem nas minhas costas, mas minhas costas são largas”, “Essa encheção de saco não é mais pra mim”. Pois é, Neymar, sinto informar-lhe, mas você é humano e tem defeito, sim. Um dentre vários outros, é a falta de humildade para reconhecer os erros. Afora isso, outro fator que contribui para a crise de imagem do jogador, é o seu mau assessoramento (que insiste em blindá-lo e em mimá-lo), principalmente pelo seu pai, que chegou a dizer que a imagem do jogador chega a sair fortalecida após a copa e que não há motivos para mudar. Das duas uma, ou Neymar e sua equipe são alienados o bastante para acharem que nada está errado, ou falta modéstia. Prefiro ficar com a segunda opção. E são por essas e, dentre outras razões, que Neymar continua fazendo jus ao apelido de “menino Ney”.


Legados da Copa do Mundo de 2018

             Hoje, infelizmente, chegou ao fim o maior evento esportivo de 2018. A Copa do Mundo da Rússia, responsável por nos propiciar belíssimas impressões, tais como a confraternização de diferentes etnias, emoções de diversos significados, superações e até manifestos políticos (que, certamente, têm grande significado em busca da democratização). Mas, o Mundial de 2018 não é só responsável por nos impressionar com o turbilhão  de sensações inerentes ao evento de tamanha magnitude. Dessa copa, também, podemos extrair, entre outras, lições e evidências relativas ao fascinante mundo do futebol.

            Apesar de muita resistência por parcela da comunidade do futebol, após o clamar do povo e muitas discussões, a FIFA, enfim, adotou o VAR (vídeo assistant referee ou árbitro assistente de vídeo). De fato, um marco significativo na sistemática do futebol. Esportes como basquete, tênis, vôlei já tinham adotado um meio tecnológico para solucionar diversas polêmicas inerentes a eles. Mas não é desses esportes que aqui tratarei, apenas mostro-lhes que o futebol foi, de certa maneira, conservador em aliar-se à tecnologia de forma direta, de tal modo que as câmeras não seriam apenas responsáveis por transmitir para o mundo todo, em câmera lenta, por vários ângulos, os brilhantes lances, mas passariam, agora, a serem cruciais para ajudar o árbitro a decidir de forma justa. Mas não nos iludamos. O VAR não é, não vai ser, e nunca será o meio tecnológico sinônimo de justiça (talvez não exista esse meio, ainda). Ele é apenas um elemento que auxilia o árbitro a tomar a decisão mais próxima da justa. Portanto, ainda há margem para erros e iniquidades, e estes apareceram várias vezes na Copa. O que não podemos, porém, é usar as imperfeições do VAR para deslegitimar a sua adoção. Muito pelo contrário. Ao fim dessa edição do mundial, tivemos muito mais acertos do que erros, muito mais justiça do que injustiça. Assim, a Copa da Rússia fica marcada por ser a primeira a adotar o VAR, a primeira a demonstrar a evolução do futebol por meio da tecnologia, mas também serve de exemplo para aprimorar o tão inovador e polêmico árbitro assistente de vídeo.

            Também, a Copa do Mundo de 2018 deu ensinamentos e exemplos no tocante ao mentores fora das quatro linhas, o técnico. Especialmente para nós brasileiros, ficou evidente que o cuidado para a escolha dos jogadores, seguindo o bordão, tem que ser redobrado, ou melhor, “redobradíssimo”. Tite, ao convocar Taison e manter Fred após a lesão nos treinamentos, foi nada mais, nada menos, que teimoso! O treinador ficou, em inúmeras ocasiões “de mão abanando”. Com a lesão de Douglas Costa e as más atuações de Willian, o substituto natural seria Taison. Mas não, o técnico da Canarinha optou por não utilizá-lo, evidenciando que foi uma convocação inútil. Em outras circunstâncias, era necessária a sacada de Paulinho para por um jogador que equilibrasse sua atuação defensiva com a criativa, para melhorar o abastecimento ofensivo. Mas, de novo, o técnico não optou por utilizar Fred, mostrando insegurança quanto ao seu condicionamento físico e o seu estágio de recuperação. Por que, então, manteve o jogador no elenco, se tinha oportunidade de cortá-lo e escolher algum outro da lista de espera? Na Copa do Mundo, assim como em todo torneio de curta duração, não há espaços para teimosia e conservadorismo. Pelo contrário. Muitos dos times que obtiveram sucesso foram os que os seus técnicos tiveram coragem e ousadia para inovar. Didier Deschamps, técnico da França, após observar a atuação limitadíssima do time contra a Austrália, em seu primeiro jogo, não relutou em abrir mão da ideia originária e mudou o time, que posteriormente apresentou melhoras significativas. Óscar Tabárez, técnico do Uruguai, da mesma forma, conseguiu obter evolução ao mudar o meio de campo com a entrada de Torrera e Betancur. E, por fim, o mentor da Bélgica, Roberto Martínez, consagrou-se com a vitória em cima da seleção favorita, a brasileira, porque teve sagacidade para alterar a tática. Enfim, fica como lição que numa competição de 7 jogos não há espaço para teimosia, conservadorismo, o técnico tem que dançar conforme a música e acompanhá-la nos seus ritmos mais lentos até os mais eletrizantes. Eu diria que o ritmo da Copa seria o rock. Não há brecha para morosidade e falta de ímpeto!

            Por fim, podemos dizer que vivemos numa nova era do futebol. A era do futebol pragmático. Ficou claro, nessa copa, que o futebol é jogado de outra forma. Hoje, o modelo de futebol quebra paradigmas. É indiscutível que a preocupação com a preponderância física ganha destaque. Atualmente, com os jogos mais movimentados, mais disputados, a preparação física dos jogadores (seja ela adquirida ou genética), ganha protagonismo. A adquirida porque os jogadores são encarados, de certa forma, como máquinas, tendo que obter muita explosão, atingir a maior velocidade possível, ter resistência para correr os 90 minutos, ou melhor, os 120 minutos (por causa da prorrogação), entre outros. A genética, porque não se discute que os jogadores mais altos ganham passagem no futebol atual. A regra é que os jogadores mais altos preponderem sobre os mais baixos, e nessa copa não foi diferente. A Campeã Mundial, por exemplo, tem apenas um jogador que destoa na altura, o volante Kanté, mas que compensa com muita velocidade, muita resistência, e uma firmeza admirável na marcação. Além disso, é nítido que há uma escassez de jogadores habilidosos, ou melhor, dribladores, contorcionistas, que são capazes de entortar qualquer marcador e quebrar as linhas de marcação. São escassos, mas não ausentes. Nessa copa, por exemplo, pudemos nos encantar com as jogadas de Isco (ESP), Mbappé (FRA), Hazard (BEL), Perisic (CRO), Carrillo (PER), e o contestadíssimo Neymar (BRA), que apesar da má-fase, conseguiu mostrar lampejos de genialidade. Exatamente pela falta de craques, o futebol hoje se rende à bola parada. Por não conseguir desmontar a linha de defesa adversária, os jogadores fazem das bolas paradas as suas principais armas. Tanto é que, nessa edição, mais de um terço dos gols foram provenientes de bola parada. Podemos, sem dúvida alguma, apelidar a Copa da Rússia de “Copa da Bola Parada”.


O previsível


Imagem: UOL Esporte

Assim que a Copa começou, um dos atletas mais visados do planeta era Neymar. Pelas habilidades, versatilidade e bom empenho no seu clube, o Paris Saint-Germain. O esperado era o crescimento profissional, diante do favoritismo da Seleção Brasileira no Mundial da Rússia. O atacante brasileiro possuía, mesmo antes do campeonato,
performances questionáveis no extra campo, era um atleta que mostrava nítidos sinais de imaturidade em momentos de crise. Não se sabia se tal fato aconteceria na Canarinha.

O Brasil passou pela 1ª fase com dois jogos duros (Suíça e Costa Rica) e um jogo mais leve, contra a Sérvia. Quando a Canarinha foi para o mata-mata, já contra o México, Neymar era alvo de sátiras dos adversários, tais quais, obviamente, tentavam tirar o foco do craque brasileiro, que só tinha tido uma atuação boa na Copa, no jogo anterior diante dos sérvios. Contra a Bélgica, algo triste para mais de 200 milhões de corações: a eliminação da Seleção Brasileira. Em uma análise racional, não se pode jogar totalmente a culpa da eliminação em Neymar. Pelo contrário. Apesar disso, quando se faz uma avaliação apenas do craque do nosso país, a avaliação é apenas uma: saiu da Copa menor do que entrou. Quais os motivos? O primeiro deles, a falta de bons conselheiros. Críticas pertinentes devem ser feitas e assimiladas. Algo que não acontece com o atleta, rodeado pela pífia gerência do pai e de seus ‘parças’.

Outro fator é a proteção exacerbada que ocorria nos bastidores da Seleção. Este cronista até pensava que o panorama vigente era diferente, ou seja, que Tite e sua comissão técnica estavam fazendo o craque refletir acerca de determinadas posturas. Entretanto, com a bisonha entrevista do coordenador técnico Edu Gaspar, que dizia ter “pena” de Neymar e que "é muito difícil ser tal pessoa", notei o contrário. A condução foi equivocada nos bastidores. Protegido de críticas e cerceado de “mimos”. E uma terceira questão: a dificuldade do diálogo com o torcedor. Sim, nobres amigos, com a torcida brasileira. Isso porque, ao negar dar entrevistas, o que é um direito, sempre, claro, Neymar corre de dar justificativas para o fã brasileiro do esporte mais apaixonante.

Em uma camisa do porte da Seleção, a cobrança sempre existirá. Será grande, e tem que assim ser. É natural que não se fale aos microfones. Porém, uma dicotomia é evidente: Messi e Cristiano Ronaldo correm? Eles só aparecem nos bons momentos? Quando aparecem nos bons momentos são com comportamentos nítidos de “deboche”? Hoje, não. No passado, o astro português tinha comportamentos questionáveis e parecidos, não iguais, aos de Neymar. Era temido, hoje, amado e querido por diversos amantes do futebol. Está aí a luz no fim do túnel do bom jogador Neymar da Silva Santos Júnior, de apenas 26 anos (terá 30 na próxima Copa): procurar refletir, amadurecer, mudar seu ciclo de relações, no que se refere à condução da carreira, e tentar se basear na evolução de um gênio da bola e fora dos campos: o português Cristiano Ronaldo, que outrora era um imprevisível. É preciso que Neymar seja o contrário, tal qual CR7 de hoje, com bons comportamentos e atitudes constantes.


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