Que o futebol brasileiro, da CBF até os clubes, salvo raras
exceções, é desorganizado, não é novidade para os acompanhantes do esporte.
Claro que essa bagunça é institucional, tendo como protagonistas os dirigentes
e como coadjuvantes, a torcida, os jogadores, os empresários, entre outros.
Porém, o fio de esperança por uma evolução, por mais fino que seja, ainda
reluta no coração de cada amante do universo futebolístico, e não poderia ser
diferente. A questão é que, na medida em que nos aproximamos da 38º rodada do
Brasileirão, esse fio fica cada vez mais na iminência de romper.
Palmeiras demite Roger Machado e contrata Felipão. Santos
destitui Jair ventura e acerta com Cuca. Essas foram umas das principais
notícias da semana no universo do esporte. Contratação de técnicos consagrados
para comandarem times que almejam bons resultados ao fim da temporada. Até aí,
nenhum problema. Mas o que motiva essas contratações? Quais objetivos? O que há
planejado? Há um bom espaço para desenvolver as ideias? Ou essas contratações
são apenas uma resposta imediata e irrefletida para tentar uma possível, mas
não arquitetada, melhora? Talvez os dirigentes de tais clubes (mas também, os
da maioria dos clubes brasileiros) não se questionem acerca dessas hipóteses e
das possíveis consequências para, assim, criar um lastro para uma temporada
promissora e estruturada. Preferem, no entanto, administrar o clube conforme os
tropeços, as más escolhas, e o engraçado, tendo como solução ou paliativo,
novas más escolhas, ou no mínimo, atitudes incoerentes.
O Palmeiras começou o brasileiro com Roger, técnico jovem,
com suas características peculiares de armar o time e de administrar o
vestiário, em seu comando técnico. Uma aposta. Até então, não convencia, mas o
trabalho posto não era ruim. Conseguiu a melhor campanha da primeira fase da Libertadores,
avançou na Copa do Brasil, e atingiu uma colocação amena para os objetivos
traçados, na série A. O Santos iniciou a temporada com Jair Ventura como
técnico que, assim como Roger, é uma aposta. O time santista se classificou
bem, em primeiro lugar do grupo, na Libertadores, avançou na Copa do Brasil,
mas no campeonato brasileiro está um desastre, beirando a zona de rebaixamento.
Diante dos rendimentos insatisfatórios, vieram as temidas e desastrosas
demissões. Não se sabe se, de fato, foi pelos resultados obtidos, se foi por
pressão política, se foi por desgaste nos relacionamentos internos. Com a
administração caótica da maioria dos clubes brasileiros, realmente fica difícil
encontrar a motivação verdadeira.
Questiona-se, aqui, entretanto, a má gestão, a incoerência, a
falta de compromisso com os planos originários dos dirigentes. Não faz sentido
apostar em técnicos jovens no começo da temporada e, posteriormente, recorrer a
"medalhões" do futebol para tapar os buracos existentes. É preciso
manter a filosofia do comando técnico. Das armações táticas, da administração
do vestiário dos técnicos Roger e Jair Ventura para Felipão e Cuca, há uma
baita discrepância. No mais, se é por incapacidade, por corrupção ou por
egocentrismo, ou até pela soma disso tudo, as inúmeras gestões desastrosas no
futebol brasileiro, eu não sei. E também não sei até quando o dito fio de
esperança vai aguentar. De tanta hipocrisia dos "poderosos", o
torcedor está farto!