JOSÉ MATHEUS SANTOS
O futebol brasileiro é decadente. Organizado pela CBF, instituição pela qual passaram um ex-presidente preso em Nova York, José Maria Marin, outro ex-mandatário suspeito de altos desvios, Ricardo Teixeira (mas a Justiça brasileira tão paladina da ética não investiga) e outro que, se sair do Brasil, é preso pela Interpol, mais conhecido como Marco Polo Del Nero. Recursos e verbas altas desviadas para seus “bolsos” e o esporte mais apaixonante do país segue precário.
Analisemos pelo calendário: a Série D do Campeonato Brasileiro, formada por 68 clubes, já terminou duas semanas com o acesso dos sortudos Treze/PB, São José/RS, Imperatriz/MA e o campeão glorioso Ferroviário/CE. Parabéns e festa para eles. Tristeza para outros: 64 clubes pararam as atividades até a metade de julho por conta do encerramento precoce da competição. Em uma conta rápida, amigos leitores e leitoras, são cerca de 1.280 jogadores desempregados, árbitros que reduzem seu trabalho, seja ele profissional ou um “bico”, fora os ambulantes que vendem alimentos e bebidas nas praças futebolísticas, além de diversos torcedores órfãos até o fim do ano.
Na Série C, no último final de semana, 12 clubes pararam as atividades e, agora, 8 partem para disputar 4 vagas pelo acesso, entre eles Náutico e Santa Cruz, pelos quais torcemos para fortalecer o futebol pernambucano na temporada 2019. Mas vamos trazer para uma realidade mais próxima nossa: supondo que alvirrubros e tricolores não consigam o acesso, o que estes dois tradicionais clubes farão a partir do dia 26 de agosto: Serão 4 meses e meio sem atuações, atletas desempregados, salários dos funcionários a mercê de um não pagamento (porque os deficitários clubes já não terão mais receitas) e milhares de torcedores da Cobra Coral e do Timbu sem desfrutar de seus respectivos times. Imagina os doze clubes que já pararam e nada terão para fazer durante quase um semestre.
O que isso nos mostra? Que é realmente cruel a forma como os altos mandatários da “Casa Bandida do Futebol” (CBF) tratam seus mais simples filiados clubes. Eles só estão preocupados com a Série A (que já tem seus defeitos) e com a Seleção Brasileira, que tem fracassos nas últimas 4 Copas do Mundo. Culpa também dos clubes, que seguem apoiando os corruptos e ineficazes dirigentes da CBF. Embora haja forte poder dos “coronéis” da CBF, as equipes poderiam se unir em prol e defesa de seus interesses, sobretudo, pedir uma temporada mais longa. Só há uma justificativa da CBF para a temporada das Série C e D serem tão curtas assim: o interesse pelos clubes maiores, que ajudam a engordar o tamanho de seus perigosos bolsos.