( Bruno Araújo, Silvio Costa e Mendonça Filho deixam Brasília após mandatos sucessivos de protagonismo )

Bruno, Mendonça e Silvio: três protagonistas deixam o Congresso Nacional

JOSÉ MATHEUS SANTOS matheus.santos@portalrcf.com.br Como se sabe, a alta renovação no Congresso Nacional feita pelo crivo do voto popular nas urnas no último mês de outubro, retirou do Parlamento caciques da política, quadros tradicionais e levou novos nomes, que não necessariamente significam a qualificação, até porque é preciso esperar o comportamento dos novatos em algumas pautas e no diálogo com a sociedade brasileira, uma dificuldade nos últimos anos, haja vista a vassourada que foi feita nas urnas. Na bancada de deputados federais de Pernambuco, saem 10 deputados atuais para vagas de novatos, ou seja, uma renovação de 40%. Desses dez, três são do alto clero, ou seja, participam de decisões importantes tomadas pelo Legislativo nacional.

Membro do alto clero do PSDB e à frente de articulação de proximidade do tucanato com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), Bruno Araújo deixa a Câmara Federal após 12 anos, pois foi candidato ao Senado derrotado em outubro, ficando em 4º lugar na disputa. Bruno foi um dos cabeças do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, articulando com grupo oposicionista, já em 2015, a queda que ocorreu em 2016. Com o presidente Temer, tornou-se ministro das Cidades, trazendo importantes investimentos de habitação e saneamento básico para Pernambuco. No dia seguinte à divulgação da delação do empresário Joesley Batista, em maio de 2017, Bruno, então ministro de Temer, presidente que foi alvejado pelo dono da JBS no momento mais tenso de seu governo, entregou o cargo, mas voltou atrás. Sinal de fraqueza e indecisão em momento de crise. No fim de 2017, com o afastamento do PSDB do MDB, Araújo saiu do primeiro escalão governista e voltou à Câmara. Nas duas denúncias contra Temer, Bruno votou contra a investigação, em clara incoerência por quem pregou a moralidade e ética quando era opositor de Dilma.

O deputado Mendonça Filho, um dos mais influentes no DEM, deixa também Brasília e ficará sem mandato. Isso não necessariamente afastará o político da vida pública, é tanto que ele perdeu em 2006, quando tentava a reeleição para governador, para Eduardo Campos. Em 2010, voltou à Câmara Federal e foi reeleito em 2014. Também fez parte do QG do impeachment de Dilma, sendo oposição feroz ao governo da petista. Com Temer no Planalto, tornou-se ministro da Educação. No cargo, realizações importantes, como ajustes no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), aprimoramento da base curricular e investimentos em infraestrutura de universidades, inclusive em Pernambuco, com ampliação de campus em Salgueiro e no Recife, na UFPE. O ponto negativo ficou para o ensino básico, tão negligenciado pelo Brasil há anos. Mendonça também tem uma marca negativa na sua trajetória: perdeu a sua quarta eleição majoritária consecutiva: uma para o Senado, duas para prefeito do Recife, uma para governador.

Fiel escudeiro da ex-presidente Dilma Rousseff e maior defensor de Lula na Câmara, o deputado Silvio Costa fica sem mandato após 26 anos de vida pública. O mérito da trajetória é ter sido leal à ex-presidente Dilma e coerente nos seus posicionamentos. Mesmo assim, não escapou das sucessivas traições do PT nas eleições de 2018, quando a sigla se aliou ao PSB, algoz de Dilma há dois anos, e deu um “chega pra lá” aos que tinham sido fieis. O velho comportamento petista que todos conhecem. Silvio também saiu por cima nas eleições 2018, pois, sem recursos do seu partido nanico, o Avante, e sem uma chapa estadual competitiva, conseguiu mais de 680 mil votos na eleição para o Senado, pouco mais de 10%, e ainda teve dois filhos eleitos: Silvio Costa Filho (PRB) para federal, embora tenha ficado em palanque diferente do pai, e João Paulo Costa (Avante). Na próxima semana, ele deve fazer sua despedida da Câmara, com o perfil agressivo e de contextualizar os momentos.

O que fica para Pernambuco é a saída de quadros protagonistas do Parlamento e a responsabilidade ainda maior dos novatos exercerem com maestria os papeis que receberam nas urnas. Com mais diálogo e coerência, em prol da sociedade.


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