RAFAEL PEREIRA
Com uma campanha brilhante do Fortaleza, que liderou a série B desde o seu princípio, e os acessos consecutivos do CSA, arrancando da Série D para a Série A, o Nordeste teve a chance de fazer história no ano de 2019, colocando, pela primeira vez, 5 clubes na elite do futebol nacional. Infelizmente, não aconteceu, o futebol praticado por Vitória e Sport durante o campeonato acarretou nos rebaixamentos dos rubro-negros, que se assemelharam bastante durante a competição, não em relação às cores ou por serem nordestinos, e sim pela má gestão de suas diretorias, refletida nos protestos contra seus presidentes e no desempenho pífio dentro de campo.
Ambos agonizaram seus torcedores nas arquibancadas, visto que os sistemas defensivos do Sport e do Vitória pareciam competir para ver quem proporcionava mais chances aos adversários. A facilidade para criar oportunidades claras de gol em cima desses dois times foi tanta que tiveram as duas defesas mais vazadas do campeonato, mais até do que o lanterna Paraná, que só fez 23 pontos.
Enquanto Sport e Vitória lastimam profundamente a disputa da segundona em 2019, o CRB comemora, os alagoanos só alcançaram a permanência na última rodada e o trio representará o Nordeste na Série B no próximo ano. Uma dificuldade a mais para os nordestinos será o desgaste com viagens, pois somente a região Sul conta com 7 clubes (Brasil de Pelotas, Coritiba, Figueirense, Paraná, Operário, Criciúma e Londrina).
Na série A, a última edição que não teve um clube pernambucano foi em 2011, de lá pra cá o Sport só ficou de fora em 2013, quando o Náutico estava na elite, e, em 2016, o torneio teve Sport e Santa Cruz. Lamentavelmente, esse ciclo com Pernambuco na primeira foi quebrado, porque, em 2019, os 4 clubes nordestinos são de Ceará, Alagoas e Bahia.
Imaginando possíveis dificuldades para os clubes da região, o Portal RCF decidiu deduzir alguns dos problemas que cada um dos nordestinos da série A 2019 deve enfrentar:
Bahia: A perda de jogadores deve ser um problema para o time, a começar por Zé Rafael, melhor jogador da equipe, indo para o Palmeiras. O jovem Ramires, uma das revelações do Brasileirão, certamente receberá propostas de grandes clubes, devido ao bom futebol apresentado, o lateral esquerdo Léo, emprestado pelo Fluminense, já está sendo sondado pelo São Paulo. Além deles, alguns jogadores que foram bastante úteis estão com o contrato acabando, como o atacante Gilberto, ex-Santa e ex-Sport, jogador que teve um começo fulminante e foi chamado carinhosamente pela torcida de “Golberto”.
Ceará: O Ceará conseguiu uma retomada histórica, no crescimento na tabela e no desempenho dentro de campo. O técnico Lisca, que renova com o Vozão nesta segunda-feira (3), conseguiu extrair o máximo de cada jogador, mas, para não sofrer na próxima temporada como foi este ano, alguns reforços seriam interessantes para o time. A média de idade do elenco é alta e isto pode ser um problema devido à maratona de partidas, alguns jogadores mais novos podem intensificar a dinâmica do time, principalmente atletas ofensivos de lado de campo, visto que as principais opções do time já passaram dos 30 como Felipe Azevedo, Éder Luís e Juninho Quixadá. Além disso, o Ceará vendeu Arthur, seu melhor jogador, ao Palmeiras; dificilmente, o clube conseguirá uma reposição do mesmo nível.
CSA: Provavelmente, o clube que terá mais dificuldades para se manter na série A. A falta de familiaridade com a elite pode pesar e o clube sentir a pressão em algumas partidas, então, é mister que o clube comece bem o campeonato para aumentar a confiança e se certificar de que pode sim disputar a primeira divisão. Nesse ponto, os jogadores com maior rodagem serão fundamentais como Juan, Wellington Silva, Neto Berola e Walter; quem também pode impulsionar essa confiança é o torcedor, lotando o Rei Pelé e acreditando sempre na vitória. Ademais, como qualquer clube advindo da série B, o CSA precisa se reforçar, e a margem de erro para esses reforços é mínima, devido à capacidade de investimento inferior aos concorrentes, vale lembrar que há dois anos o clube estava na série D.
Fortaleza: O clube conseguiu a renovação tão desejada com o treinador Rogério Ceni, uma notícia muito boa, mas que merece um ponto de atenção. O time jogou toda a série B valorizando a posse da bola, jogadores dando opção de passe e com uma boa movimentação ofensiva, no entanto, a partir do ano que vem, o Tricolor precisará aperfeiçoar esse modelo de jogo para enfrentar equipes tecnicamente melhores ou então passar a jogar de uma forma distinta em certas partidas. O time cearense emendou 2 acessos em dois anos, esteve pouco capitalizado nos últimos anos, mais de uma década longe da elite. Ou seja, assim como o CSA, precisa dos reforços mais assertivos possíveis. O fato de ter mantido o treinador diminui a margem de erro, principalmente sendo Rogério quem montou o time de 2018 e renasceu o futebol de alguns atletas como Derley, ex-Náutico e ex-Santa, Dodô e, principalmente, Gustavo, o Gustagol, artilheiro do Brasil na temporada 2018, com 30 gols.