YURI MENDES Confirmou-se neste domingo (28) a derrota do candidato Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores. Em discurso, reforçou o seu compromisso com a oposição frente ao mandato do futuro presidente. Além disso, Haddad pincelou sua intenção de retornar "as bases, aos pobres", para construir um plano propositivo para o ano de 2022.
"Verás que o professor não foge a luta", disse Haddad em seu último pronunciamento. Eloquente, mas, talvez tenha chegado atrasado à luta. O lançamento da chapa Fernando Haddad e Manuela D'ávila demorou demasiadamente para de fato engrenar na disputa presidencial, muito em função da candidatura preliminar do ex-presidente Lula, atualmente preso. A confiança na imagem do ex-presidente pode, talvez, ter prejudicado mais que ajudado a eleição da esquerda no país.
Além disso, o desgaste do partido já vinha sendo cantado há um certo tempo; pelo menos, desde o impedimento sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff. Ou seja, a candidatura de Fernando Haddad pelo PT deveria, pelo menos, ter seu início um pouco mais cedo, um pouco mais pensado, um pouco mais humilde.
A força histórica do partido pode ter embaçado a visão clara da situação política pela qual passa o país, especialmente do momento específico do PT. Me parece, em alguns pensamentos, que mais importava a manutenção do poder por parte do partido que por parte da esquerda em si. A sustentação do partido era quase nenhuma; bastava que observássemos qualquer entrevista, debate e/ou sabatina para a clara percepção que a preocupação em criticar, menosprezar e demonstrar desprezo ao PT e ao seu candidato era muito maior que qualquer vontade de ouvir suas propostas. Além do mais, atraía para si as atenções das críticas, blindando, muitas vezes, o próprio opositor Bolsonaro.
Imagino, respaldado nas pesquisas de intenção de voto, que a opção mais agregadora encontrava-se no candidato Ciro Gomes. Confirmaria-se a não candidatura presidencial sustentada pelo PT e este estendia seu apoio e concentrava suas forças em se articular ao lado de Ciro, talvez com um petista como vice, erguendo-se aos poucos e evitando uma quebra tão abrupta quanto a de agora, mesmo com Ciro negando em público a composição. Pelo contrário, o ex-presidente Lula articulou, da prisão, para que a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco fosse retirada, de maneira que o PSB não fosse, em troca, para o palanque de Ciro, o que enfraqueceu a postulação do PT.
São infinitos "e se" que podemos levantar, mas é fato que isso não importa agora. O PT deve estabelecer uma oposição militante e apostar na falha de Jair para se reeguer visando 2022. Resta-nos respirar, acalmar os ânimos e esperar para ver o que nos aguarda para os próximos quatro anos no cenário político brasileiro.